Haverá alguém que mantenha o toque e o afeto…

Haverá alguém que mantenha o toque e o afeto…

Em tempos de confinamento e distanciamento social, num mundo onde todos tentamos fingir que voltamos aos poucos a um normal que desconhecemos, somos obrigados a regressar às nossas rotinas sem a proximidade e o calor que nos habituamos a ter nas nossas relações.

As creches abriram, e agora, as nossas crianças precisam desse calor, do toque, do abraço e da proximidade do outro mais do que nunca.

A nossa genética está programada para ser amplamente modelada após o nascimento, em cérebros sedentos de novas informações sensoriais, é importante não privarmos as nossas crianças das informações que lhes permitem desenvolver adequadamente relações e contacto com outros seres humanos, permitem regular-se, descobrirem-se a eles mesmo, mas (e talvez principalmente), permitem-lhes ter um adequado desenvolvimento neuronal.

Imensos estudos científicos já demonstraram os efeitos que a negligência tem nas crianças. Crianças em orfanatos e instituições em que o contacto, o toque afetivo e o colo são escassos ou inexistentes. Crianças que se desenvolveram aquém do seu potencial e ficaram seriamente comprometidas nas suas potencialidades.

Por outro lado, estudos mostram-nos também que quando as crianças recebem afecto nos seus cuidados, o seu bem-estar e a sociabilidade desenvolvem-se de maneira ideal.
A maternidade (leia-se qualquer acto de cuidado com uma criança), caracterizada pelo cuidado afetivo, é essencial para os sistemas endócrinos, neurotransmissores, sistemas de autorregulação, resposta ao stress, e muito mais (Narvaez, Panksepp, Schore & Gleason, 2013a).

Grande parte do cérebro desenvolve-se após o nascimento, e as capacidades das crianças para o bem-estar social são moldadas pelo meio específico em que se inserem.

Este é o tempo de sermos criativos na implementação de estratégias que minimizem a propagação do vírus. Mas é também o tempo de segurarmos os nossos bebés e crianças no colo, é tempo de toque afetivo, de falar-lhes com uma voz que transmita carinho e segurança. Este é o tempo em que a nossa natureza humana tem que prevalecer sobre tudo que é anti-natural.

“Oxalá, exista pelo menos uma pessoa na vida de cada criança que a cuide, lhe dê afecto, que a encha de amor e aceitação, cuja presença pode suportar e aumentar a sua singularidade. A vida familiar alargada permite isso, mas o mesmo acontece com vizinhos, professores e treinadores. Toda a criança precisa de um banho contínuo de amor para florescer.” (Darcia F. Narvaez) ❤️

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