Como expandir o Brincar de crianças com Autismo

Como expandir o Brincar de crianças com Autismo

🙋As crianças e com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA), demonstram frequentemente défices na comunicação social, comportamentos repetitivos e interesses restritos que geralmente se refletem nas suas brincadeiras. Não é que as crianças com PEA não demonstrem capacidade para brincar, mas as brincadeiras podem ser diferentes em qualidade, duração e /ou tipo.

🔵 As brincadeiras atípicas de crianças com PEA são frequentemente relatadas pelos pais: eles brincam com menos frequência, com flexibilidade e criatividade limitadas, e usam objetos na brincadeira de forma atípica. É também mais provável que eles se envolvam em brincadeiras que proporcionam apenas sensações agradáveis mesmo após a idade em que a exploração sensorial é comum.

🚨 Um dos défices mais documentados universalmente em crianças com PEA, é a falta de jogo simbólico. A escassez deste tipo de brincadeira pode resultar na rejeição de outras pessoas, amizades limitadas, intimidação ou vitimização, levando a uma maior ansiedade durante a interação com colegas ao longo do tempo.

Embora algumas crianças com PEA possam ter dificuldades com os aspectos sociais da brincadeira e pareçam desmotivadas para brincar com os colegas, a brincadeira pode gerar inclusão social, promover melhores resultados sociais e amizades em idades posteriores e pode também ser importante para reduzir o stress associado a brincadeiras sociais com colegas, à medida que as crianças com PEA crescem. A brincadeira deve, pois, ser um objetivo importante na intervenção terapêutica, por todos esses motivos. Por outro lado, o brincar também pode fornecer “enriquecimento neuronal”, pois afeta a função neurológica em áreas do cérebro implicadas em respostas a novidades, praxis, imitações e comportamentos sociais.

❇️ Mas como é que eu desenvolvo o brincar da minha criança se ela não quer brincar?

Estudos recentes mostram que a estratégia que mais resulta no desenvolvimento de capacidades de brincar nas crianças com autismo é imitar a criança nas suas brincadeiras!

Portanto, se a sua criança tem autismo e mostra dificuldades em expandir o brincar, eis o que pode fazer!

1️⃣. Junta-te à brincadeira e imita a criança! Em vez de tirar os carros da fila que ela está a fazer, pegue em carros e construa a sua própria fila!
2️⃣. Se tiver que intervir que seja para ajudar, nunca para modificar! Como? Ajudando a endireitar o carro que saiu do sítio, a dar-lhe mais um carro para a fila! A colaborar para fazer a maior fila de carros possível!
3️⃣. Não mude a brincadeira da criança, mude a sua! Se os carros estão em fila, aproveite para desenhar uma pista e fazê-los percorrer a pista em filas e espere para ver se a criança mostra interesse! Ou então, já que estão em fila, arranje um carro grande para fazer de monster truck! Passe por cima dos outros carros, e logo que possa coloque-os em fila outra vez! Lembre-se que ainda está a imitar a sua criança!

🛑 “Mas Marco, assim estamos a insistir numa obsessão dele!”
Ok, experimente isto: Em vez de olhar com olhos de quem procura obsessões, olhe com olhos de quem procura justificações. Os estudos mostram que a razão para as crianças com autismo brincarem de forma repetitiva é o facto de não terem bases e capacidades para inovar as brincadeiras. Por isso, quando a sua criança passa 2 horas a alisar carros não está 2 horas numa brincadeira obsessiva. Na verdade, ela está 2h a brincar com carros! E vai ganhar muito mais se se juntar a ela para a ajudar a expandir a brincadeira do que se lhe tirar os carros com medo das obsessões!

Em que é que vai trabalhar hoje?

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