Auto-regulação. O que é que as sensações têm que ver com isso?

Auto-regulação. O que é que as sensações têm que ver com isso?

🔥É cada vez mais comum ouvir-se falar em capacidades de auto-regulação nas crianças. Isso é excelente porque as capacidades de auto-regulação são uma das mais importantes capacidades para funcionar no dia-a-dia. Antes de aprendemos a fazer algo, ou mesmo participamos em atividades de vida diária e de relação com os outros, temos primeiro que estar regulados para o conseguirmos fazer de forma satisfatória.

🚦Normalmente, quando pensamos em auto-regulação na infância, pensamos em estratégias que podemos ensinar às crianças para que depois elas usem sempre que precisarem. Essas estratégias são maioritariamente estratégias cognitivas, (“contar até 10 baixinho”, “apertar limões imaginários”, “respirar fundo três vezes”, etc.), e preveem a mudança de um comportamento, ou seja, reduzir a ansiedade ou nervosismo da criança quando a situação está a ficar mais difícil.

😤O problema muitas vezes é que temos crianças que se desregulam e desorganizam facilmente e que não têm capacidade cognitiva para armazenar este tipo de estratégias e usá-las perante uma situação de potencial desregulação. (Principalmente se a criança já está desorganizada, pedir-lhe isto é pedir-lhe um esforço incomportável!)

🧠 Se trabalha com um terapeuta ocupacional é provável que ele já lhe tenha falado de autorregulação, contudo quando os terapeutas ocupacionais pensam em regulação eles pensam em algo mais do que “apenas” estratégias cognitivas. Quando falam em regulação os terapeutas ocupacionais focam-se muitas vezes no nível de regulação adequado para funcionar no dia a dia e que se baseia na forma como as sensações nos mantêm regulados.

💡A saber: diferentes pessoas têm diferentes perfis e diferentes formas de se regularem. Há pessoas e crianças mais ansiosas do que outras e obviamente estes perfis correm mais riscos de se desorganizarem. Mas como os perfis são diferentes, a forma ideal para se regularem é também diferente para cada um.

🧮 O que normalmente é comum, independentemente do perfil, é vermos as pessoas a selecionar estratégias de regulação que, mais do que cognitivas, são sensoriais.

💪Pensa naqueles dias ou naquelas situações em que estás mesmo agitad@, e pensa nas coisas que normalmente te apetece fazer, pensa naquilo que tu vais buscar pra te regular. Pode ser que sejas daquelas pessoas que precisam de correr, ou precisam de ir ao ginásio “puxar ferro”, ou que precisam de dar uma caminhada. No fundo, este tipo de pessoas usa sensações do próprio corpo – ou sensações propriocetivas – para levarem o seu estado de regulação novamente a um nível organizado. Ao moveres o teu corpo, ao participares em atividades físicas vigorosas, os músculos estão a enviar informações sensoriais ao cérebro que por sua vez liberta neurotransmissores que ajudam a regular o nível de excitabilidade, ansiedade e da desregulação. Este é também o princípio por detrás das bolas antisstress, como movemos os nossos músculos da mão e do braço estamos a canalizar energia para a bola, mas enviar informação ao cérebro que o ajuda a regular a sua atividade.

🤸‍♀️Pode ser, no entanto, que sejas daquelas pessoas que quando está muito nervosa prefere meter-se num carro e guiar até se cansar, ou então sentar-se numa cadeira de balanço, ou fazer aquela aula de dança ou pilates suspenso (nem sei se isto existe) e balançar-se até que o nível de stress baixe. Nestes casos estás a procurar um tipo de informação diferente. Na área das neurociências esse tipo de informação chama-se informação vestibular que é a informação que o teu cérebro receber quando a tua cabeça está em movimento e que ajuda a regular níveis desregulação. O uso de movimento para a regulação é tão eficaz que de uma forma completamente inata todas as mães de recém-nascidos o fazem quando o seu bebé está a chorar! Pegam no bebé e começam a embalá-lo. E normalmente isto resulta em bebés completamente desreguladas que começam a organizar-se com aquele movimento e entram em padrões de regulação que os levam até a adormecer no colo.

🤱Por falar em colo, aí está outra forma de regulação sensorial. Se és daquelas pessoas que só se organizam com um bom abraço, uma boa massagem ou agarradas àquele peluche têm desde infância, enfiadas por baixo de dezenas de cobertores, então percebes bem isto.
O que estas pessoas fazem é usar o sistema tátil e o sentido do toque para se regularem. Este é um dos principais órgãos sensoriais que temos e tem uma influência enorme na organização do sistema nervoso e também na nossa regulação.

🛹Talvez seja agora mais fácil perceber porque é que o terapeuta ocupacional indica várias vezes estratégias como saltar no trampolim, correr, usar plasticina e materiais de vibração ou até umas idas ao baloiço, para quando a criança está desorganizada. Porque dessa forma vão estar a usar formas básicas (entenda-se fundamentais) de regulação! Que não envolvem cognição e um elevado controlo emocional, mas envolvem sim necessidades sensoriais básicas que ao serem colmatadas vão ajudar imenso na regulação da criança. 

🤚Mas Marco, qual a melhor estratégia para crianças que se regulam?

É muito simples, prepare-te para anotar:

Estás? Então…“NÃO INVENTES!” 

Se tens uma criança que se desregula facilmente procura uma equipa que faça uma avaliação abrangente e compreensiva, para que se possa descobrir porque é que ESSA criança se desregula e quais os canais sensoriais que melhor a organizam (A ESSA CRIANÇA)! 

ps: Tenho sempre que me passar com as pessoas que acham que somos todos diferentes… menos quando somos crianças… aí somos todos iguais. 😤 (vou andar de skate 🛹)

Em que é que vai trabalhar hoje?

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