A Escola é que não sabe dar cambalhotas!!

A Escola é que não sabe dar cambalhotas!!

Aqui vai um daqueles posts polémicos:
 
Depois de o público ter lançado um artigo sobre as últimas provas de aferição:
E depois pensamos… “Bah, também, quem é que precisa de dar cambalhotas?! Eles precisam é de matemática!”
Pois! Só que isto fica mais sério quando percebemos que “31% dos alunos revelaram ainda dificuldades em participar num jogo infantil em grupo”.
Quando me falaram nas provas de aferição, eu sabia que ia dar nisto! Sabem, é que na Educação nós atingimos níveis recordes de hipocrisia!! Andam especialistas da saúde e desenvolvimento infantil a dizer há anos a fio que a carga escolar, o excesso de TPCs, as atividades extracurriculares para enriquecimento académico, são tudo coisas que só atrapalham e que as crianças, antes de aprenderem o que quer que seja, têm que aprender sobre o seu próprio corpo, a usá-lo e a explorar o meio com ele. Toda a gente sabe isto, está provado, mais do que estudado, etc. etc. etc.!!!
Seria de esperar que educação, saúde e neuropsicologia se alihassem todos para servir as nossas crianças da melhor forma…
MAS!!!
A educação não funciona assim!
Primeiro, aumentamos a carga, aumentamos os momentos de teste, aumentamos as horas de atividade lectiva, reduzimos os recreios (em tempo e em equipamento), dizemos às nossas crianças que não podem correr, nem jogar à bola, jogos de lutas e espadas e saltos são proibidos e…
…lançamos uma PROVA DE AFERIÇÃO!
A prova, qual juíz supremo, diz-nos que praticamente metade dos alunos das nossas escolas (pois.. sãos as NOSSAS crianças! Reparem… os NOSSOS filhos) não sabe fazer nada com o corpo! (Relembro que até a SKIP já tinha lançado uma campanha sobre isto!!)
E então, depois desta prova… qual é a conclusão deste pessoal??
“Os resultados reforçam a ideia de que a Educação Física não é dada no 1.º ciclo como devia”, defende o presidente da Confederação Nacional das Associações de Professores e Profissionais de Educação Física”
Ah… claro! o problema está.. nas aulas!
NÃO senhores!!! O problema está na falta de recreios! Na falta de espaços verdes, na falta de árvores e de agentes educativos com coragem suficiente para deixarem as crianças subirem às árvores!!!!
O problema está na falta de oportunidades para brincar!!! Porque hoje em dia, só se pára para brincar no Dia da Criança!
E enquanto continuarmos a acreditar que o “trabalho das crianças é estudar” e passar horas em frente aos livros a ouvir o que elas aprenderiam muito melhor ao fazer… vamos continuar nesta aferição de ver quem lança a medida educativa mais estúpida!

8 thoughts on “A Escola é que não sabe dar cambalhotas!!

  1. Então e o papel dos pais? Percebo que a escola tenha uma parte, mas é os pais fazer caminhadas, deixá-los brincar na rua, obrigá-los a largar os tablets e telemóveis?
    A escola não serve para justificar tudo.

    1. Sem dúvida Pedro! Mais do que os pais… todos temos um papel e uma responsabilidade. Mas as crianças passam cerca de 7h por dia na escola. Há crianças com mais carga “laboral” do que os adultos! Talvez se a escola mudasse as suas prioridades, essas se estendessem e se manifestassem mais nas rotinas dos pais! Não há um “culpado” ou responsável só! O importante é reconhecermos que tem que haver uma mudança! Obrigado pelo seu comentário!

      1. Os pais, os pais, os pais…os pais não têm tempo, e quando o têm, a escola trata de o roubar, com os famigerados tpc, retirando tempo de qualidade em família, CONHECENDO-SE. É o desgaste que leva ao mais fácil. Talvez se a escola parasse de intoxicar a opinião pública com testes, aferições e “prémios de mérito”, talvez os pais soubessem estabelecer as suas prioridades.

  2. Requalificaram a escola de uma terra simpática perto de onde moro. O edifício está impecável. O espaço para brincar é do tamanho de um lenço de assoar. Se todos os alunos trouxerem cordas para saltar, alguém vai ” vazar” um olho!!!

  3. E não esquecer que há pais que adoram esses programas massivos e que acham que a aprendizagem das matérias deve ser o quanto antes e em casa nem subir a um banco deixam! E depois ouvimos sobre ileteracia motora e esquecemos que essa componente física é imprescindivel para o desenvolvimento cognitivo.

  4. A mudança tem que vir de cima…. NÃO HÁ uma política que defenda o tempo que as famílias têm que ter obrigatoriamente com os seus. Hoje, devido à carga laboral que os adultos têm, as crianças são colocadas cedissimo nas escolas e passam ali mais tempo do que deveriam. Vieram as AEC para preencher o que tempo que poderiam e deveriam ter para a brincadeira. As crianças ao final do dia regressam a casa, jantam e deitam-se cansadissimas. Se tiverem algum tempo livre, são inscritas em atividades que os encarregados de educação consideram importantes para o seu desenvolvimento.
    Não há tempo livre. Não há tempo lúdico. Tudo é programado.
    Eu não aprendi a saltar à corda na escola. Aprendi no pátio do prédio junto de outras crianças.
    Enquanto não se desenvolverem políticas direcionadas para um crescimento saudável de um ser humano, vamos voltar a discutir as suas competências.
    A criança não sabe porque a escola….. esta é a frase do dia!!!!! Os professores são os responsáveis por tudo!!
    Para que a escola seja a segunda casa, a casa tem que ser a primeira escola!!!!
    Acrescento ainda que o professor de 1º ciclo em regime de monodocência vê-se sobrecarregado com exigentes conteúdos que humanamente é impossível de abordar. A excessiva carga horária dada somente a matemática e a português, torna as expressões o parente pobre!!
    Está muita coisa errada e em vez de irmos ao que realmente interessa aplicam-se provas de aferição que não servirão para nada..

  5. …. reclamei na IPSS do meu filho pela má qualidade do prolongamento, visto estarem sempre sentados a verem televisão de uma forma obrigatória (apesar de afirmarem que não). Resultado? Proibiram a renovação… porquecreclsmo muito! Resposta dada por e-mail e carta registada….

  6. Segundo ouvi, o problema não está apenas nas dificuldades em saltar à corda ou dar cambalhotas. Foram encontradas dificuldades noutras áreas, nomeadamente na conjugação de verbos e em história e geografia, não sabendo localizar Portugal no mapa nem o que foi o Tratado de Tordesilhas.
    Quando se vê uma reportagem da SIC mostrando que meninos e meninas de 10 anos passam horas em casa a ver “youtubers”, com conteúdos muito pobres e cheios de palavrões e ainda se houve um pai a afirmar: “eles dizem demasiadas asneiras, mas até acho engraçado”, então talvez o problema não esteja apenas na escola. As escolas até podem estar a cortar nos recreios, e aí concordo com a crítica, no entanto, os meninos em casa também não vão brincar para a rua ou para o jardim. Pais começam a dar tablets, smartphones e acesso quase ilimitado à internet aos filhos com 5-6 anos, desencoranjando, também eles, a prática de atividades exteriores, mas também ao estudo de uma forma generalizada.

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